diário

Diário.
Um objeto. Um livro, o diário da escritora Katherine Mansfield. As páginas do livro foram apagadas, letra por letra. Se pode ver o rastro de cada tipo, na verdade não se trata de um simples apagamento, mas um deslocamento. As letras são retiradas das páginas através de uma fita corretora e é possível ler o conteúdo do diário nessas fitas. Porém agora em um formato horizontal, diferente da página do livro.
Este é um trabalho sobre a memória, antes, sobre o esquecimento. O que resta quando esquecemos? Quais rastros, a memória nos imprime apesar de nossa escolha? O trabalho não fala de um apagamento simples, onde se retornaria à página em branco, mas de um apagamento que deixa um rastro na página do livro e desloca seu conteúdo para um novo espaço. O processo se assemelha ao processo de leitura, o leitor acompanha letra por letra do texto, e apreende esta letra, guarda a lembrança do outro como um segredo.
O processo me leva ao tempo de quando eu era criança e seguia as pegadas dos adultos nas areias da praia, hoje, sigo as letras de K.M. em suas lembranças.
Apaguei o texto partindo de seu final, garantindo que não leio seu conteúdo, pois, na introdução da edição, está escrito que havia uma outra parte do diário destruída por sua autora. Os editores não têm, portanto, a certeza de que K.M. gostaria de ver suas memórias publicadas. O que faço é suspender esta dúvida, concretizar o espaço da memória. Guardo, numa espécie de segredo, as anotações da escritora.

A seguir há um link onde se pode ver um vídeo do processo do trabalho.

Objeto e vídeo.

vimeo.com/38381985